6 de dezembro de 2010

Celibato sacerdotal na Igreja Católica

Por JOHN LENNON J. DA SILVA

Do ponto de vista histórico eclesial, podemos afirmar que o celibato dos padres tem origem canônica nas decisões do Supremo Magistério, e estabelecido como (lei disciplinar)¹ no séc. III. Costume que especialmente nos concílios ecumênicos, foi estabelecido e declarado obrigatório o celibato clerical aos sacerdotes, consagrados ao serviço do altar, tornando-se lei eclesiástica principalmente para a Igreja de rito latino, formulada pelo Magistério da Igreja Católica.

No entanto nos primórdios do Cristianismo, III primeiros séculos existiram Bispos, Presbíteros e Diáconos da Igreja que eram casados, pelo fato de encontra-se embasamento nas Sagradas Escrituras, sendo também necessidade ao contexto primitivo da Igreja, quando o celibato ainda não desempenhava notoriedade, já que numericamente os adeptos do Cristianismo, resumiam-se a pequenas comunidades dolorosamente perseguidas no séc. II. Nesta época aconteceram às primeiras tentativas de uma solida organização eclesiástica, provenientes dos primeiros lideres cristãos os Pais Apostólicos², contudo deu-se ouvidos a orientação paulina de que os candidatos ao Bispado ou presbitério sejam “casados uma só vez” e sejam íntegros na fé, postando uma boa qualificação moral, cf. (I Tim 3,2; e Tt 1, 6:) tomando a necessidade pastoral daqueles dias para as comunidades cristãs, existiram alguns que optavam por uma vida afastada da relação conjugal ou matrimonial, o que posteriormente inspirou vários monges a optaram radicalmente pela proposta auxiliada por uma vida eremita, afastados do mundo, consagrados a Deus a partir do início do século III.

Nesta perspectiva outro grande motivo possibilitou a Igreja, afirmar o celibato entre os padres, os infelizes acontecimentos e fatos envolvendo clérigos; alguns padres no fim do III século, chegaram a praticar adultérios, ou acentuar-se a poligamia, trazendo escândalo para os fieis, no século IV, o Concílio Ecumênico de Niceia em 325, entre as varias elucidações doutrinarias, pastorais e de organização, achou oportuno tendo como algozes os padres conciliares que declaram a utilidade do celibato entre o clero e a proibição dos mesmos de se relacionarem conjugalmente com mulheres, sabe-se que tal afirmação apoiou-se nos exemplos que a Igreja salvaguardava, como a opção e situação celibatária encontrada entre os apóstolos de Cristo especialmente no apóstolo dos gentios S. Paulo.

Entre os cânones conciliares havia a seguinte declaração:

“Nenhum deles deverá ter uma mulher em sua causa, exceto sua mãe, irmã e pessoas totalmente acima de suspeita.”. “O grande Sínodo proíbe rigorosamente qualquer bispo, presbítero, diácono, ou qualquer um do Clero, ter uma "subintroducta" morando com ele, excetuadas apenas a mãe, uma irmã ou tia, ou pessoas assim, desde que sejam acima de quaisquer suspeitas”. (Os Cânones dos 318 Bispos Participantes; I Concílio Ecumênico de Nicéia; Cânon III:).

“A coabitação de mulheres com bispos, presbíteros e diáconos é proibida por causa do celibato desses. Decretamos que nem bispos nem presbíteros viúvos devem viver com mulheres. Não podem eles acompanhá-las, nem se familiarizarem com elas, nem contemplá-las insistentemente. O mesmo decreto é dado em relação a cada padre em celibato, incluídos os diáconos que não têm esposas. Isto deve ser assim, seja a mulher bonita ou não, seja adolescente ou mulher mais velha, seja de elevado status ou órfã acolhida em caridade com o propósito de ajudá-la; Pois que o demônio faz o mal, com tais armas, aos religiosos, bispos, presbíteros e diáconos, e os incita ao fogo do desejo. Mas se a mulher é de idade avançada, uma irmã ou mãe, ou tia, ou avó, será permitido viverem com elas porque essas pessoas estão livres de qualquer suspeita de escândalo.” (Outros Cânones de Niceia (segundo a versão Árabe); Cânon III).

“Sinal” para a vida a serviço de Deus feito pelo ministro cf. (CIC nº 1579). Encontra-se canonicamente estabelecida no ocidente, tendo principio em São Paulo, entre as suas palavras existe a seguinte admoestação a respeito de seu exemplo de homem celibatário; “Aos solteiros e as viúvas, digo que lhes é bom se permanecerem assim, como eu” (Cor 7, 8;) um dos seus celebres discípulos que se tornará Bispo, Timóteo imitador de S. Paulo também era celibatário, o mesmo Paulo apresenta prerrogativas a favor de tal modelo de vida sacerdotal, ”o que esta sem mulher, esta cuidadoso das coisas do Senhor, como há de agradar a Deus. Mas o que esta casado, está cuidadoso das coisas que são dos mundo, como há de agradar á sua mulher.” (I Cor 7, 32-33;). Que sejam os clérigos seus imitadores como o mesmos foram de Cristo, que como lembra o Catecismo devem “guardar o celibato "por causa do Reino dos Céus" (Mt 19,12)” (CIC nº 1579).

O Proto Bispo de Roma a qual exerceu estas funções, S. Pedro, segundo a Sagrada Tradição, tornou-se celibatário, ele mesmo confessa isto em seu abandono à missão de anunciar a boa nova e na pessoa de Jesus como discípulo; “Vê nós abandonamos tudo e te seguimos, Jesus respondeu ‘em verdade vós declaro: ninguém há que tenha abandonado por amor ao Reino de Deus, sua casa, sua mulher, seus irmãos, seus pais ou seus filhos, que na receba muito mais neste mundo e no mundo vindouro a vida eterna.” (Lc 18, 28-30.).

Nosso Senhor declara no Evangelho de Mateus; “Porque há eunucos que são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelos homens e há eunucos que a si mesmo se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus,”. (Mt 19, 12:).

A Igreja toma parte deste modelo e sinal de vida para os sacerdotes, os presbíteros é dado o casamento com o altar, que deve ser o ápice desta consagração em seu ministério, que servindo ao Senhor são chamados a fazerem-se eunucos por amor ao Reino eterno, e foi por intermédio do Espírito Santo, que governa a Igreja que o desejo de velar e instituir tal costume foi promungado nos concílios ecumênicos, competindo ao parecer do Espírito Santo através do Sagrado Magistério da Igreja, continuar ou não este costume entre o clero católico.

É bom ressaltar que certas Igrejas particulares (sui juris) que zelam pela comunhão com Roma como a Igreja Maronita de rito Antioquino, preveem em seu direito canônico próprio o costume:

“Nas Igrejas orientais, está em vigor, há séculos, uma disciplina diferente: enquanto os Bispos só são escolhidos entre os celibatários, homens casados podem ser ordenados diáconos e padres. Esta praxe é considerada legítima há muito tempo; esses padres exercem um ministério muito útil no seio de suas comunidades. O celibato dos presbíteros, por outro lado, é muito honrado nas Igrejas orientais, e são numerosos os que o escolhem livremente, por causa do Reino de Deus. No Oriente como no Ocidente, aquele que recebeu o sacramento da Ordem não pode mais casar-se” (Catecismo nº 1580).

Canonicamente a Igreja latina observa a prescrição dada e acrescentada por inspiração do Santo Espírito ao Magistério da Igreja de observar o celibato.

“Todos os ministros ordenados da Igreja latina, com exceção dos diáconos permanentes, normalmente são escolhidos entre os homens fiéis que vivem como celibatários e querem guardar o celibato "por causa do Reino dos Céus" (Mt 19,12). Chamados a consagrar-se com indiviso coração ao Senhor e a "cuidar das coisas do Senhor", entregam-se inteiramente a Deus e aos homens. O celibato é um sinal desta nova vida a serviço da qual o ministro da Igreja é consagrado; aceito com coração alegre, ele anuncia de modo radiante o Reino de Deus.” (CIC nº 1579: 1599).

Notas
Lei disciplinar¹: Leis instituídas pelo Magistério da Igreja, seu cumprimento vigora enquanto a Igreja recomendá-la como norma que merece assentimento dos clérigos ou especificamente aos fieis.

Pais Apostólicos²: Tratam-se dos homens que tiveram contato com os apóstolos, exerceram importância no amadurecimento institucional da Igreja, alguns deles sucederam os apóstolos ou foram discípulos dos mesmos, é título especifico dos primeiros Padres da Igreja, pela proximidade com os tempos apostólicos da Igreja.

_________________________________________

Pequenas observações da realidade cotidiana:

O celibato do clero tem fundamento no próprio exemplo de Cristo, que não se casou.

O celibato é a instituição mais atacada na Igreja. Por que ninguém critica o celibato dos monges budistas ou orientais, mas atacam a Igreja?

O fim do celibato não trará mais vocações. O Oriente Médio prova isso. Ordenação de casados não fez aumentar o número de padres.

Imagine esta situação: Um padre casado é chamado para dar a extrena unção a um paciente terminal, mas neste mesmo momento sua esposa entra em trabalho de parto. Quem ele atende? A esposa ou o doente?

Celibato é condicional da verdadeira vocação. O homem e a mulher vocacionado à Deus precisa morrer para o mundo e nascer de novo. Nascer para servir a Deus e ao irmão. Apenas para servir. Portanto, o celibato é necessário. Não se pode servir em plenitude, se aberto aos prazeres carnais e ao compromisso conjugal.

"A questão deve ser a seguinte: por que não deixar de ser padre, ou melhor, por que querer ser padre, sem a devida vocação ao celibato? A Igreja não obriga ninguém a ser se não quiser. Então a Igreja mantém o celibato, como fonte de virtude e semelhança a Cristo, sumo e eterno sacerdote... Infelizmente a pedofilia é algo terrível que vem assolando a sociedade em todos os âmbitos; basta ligar a televisão é ver quase todos os dias, pais que molestam filhos e filhas, educadores que molestam alunos, médicos que molestam pacientes e por aí vai. Então é muita babaquisse preocupar-se com algo que não tem nada a ver. Até parece que essas pessoas que pedem o fim do celibato são muito fiéis à Igreja. Pelo contrário, na maioria das vezes nem católicos são."

É verdade que hoje os homens casados têm pouco tempo para dedicar à família. Porém, é exatamente isso que causa crises familiares. Se com o celibato, já temos problemas com um ou outro sacerdote, imagine se eles tivessem que dividir seu tempo com o "trabalho" e a família. Fariam as duas coisas pela metade. E tanto suas ovelhas como suas famílias ficariam na mão...

Se celibato interferisse no número de vocações, as dioceses estariam repletas de diáconos permanentes. Porém, não verificamos isso na realidade. Cristo nunca foi casado nem teve filhos. Alguém vai dizer que ele não soube conduzir seu rebanho por "falta de experiência" ?
"Quem vai ser a doida de querer casar com padre? O padre da minha paróquia acorda às 4:30h da matina para as primeiras orações. Reza 5 missas diárias, faz confissões, atende a 42 comunidades, trabalha nas obras assistenciais, atende chamados urgentes, etc, etc, etc... Deus me livre ser mulher de padre!"
O outro lado da moeda da questão do celibato é o ímpeto missionário. Ora, não é mera coincidência que a grande parte dos católicos do mundo sejam Católicos de Rito Latino. Graças às vocações dos celibatários, e à presença de ordens religiosas, o ímpeto missionário de grandes santos levou a fé aos confins da Terra, muitas vezes à custa do sangue de muitos. O celibato obrigatório foi decisivo no grande ímpeto missionário da Igreja Latina.

Agradecimento: Blog Redemptionis Sacramentum

Nenhum comentário:

Postar um comentário